O TEMPO É OUTRO

May 2, 2015

 

Consumidos pela correria do dia-a-dia, nos vemos cada vez mais apressados, com a sensação de que não há tempo para fazer tudo o que a rotina nos exige. Entre o tocar do despertador, o café da manhã apressado, o trajeto para levar os filhos à escola, a academia, as reuniões e visitas aos clientes, o supermercado e tantas outras coisas que tomam espaço na nossa vida, precisamos parar para refletir exatamente onde pretendemos chegar.

A sensação de estar atrasado para algo que, por vezes nem mesmo sabemos ao certo o que é, cria a sensação de estar devendo alguma coisa. Ao mesmo tempo, que participam de uma reunião, as pessoas conseguem estar conectadas às redes sociais e ao universo que a tecnologia nos apresenta como um mundo a parte e que, como tudo nessa vida, pode ter um lado bom e um ruim.

Pouco tenho visto pessoas participando de reuniões sem seus celulares a postos. Mesmo no modo silencioso a luz acende e avisa que alguém que não está presente na sala, ou quem sabe até está, acaba de se pronunciar. Isso é terrível. Em vez de aproveitar a oportunidade de ouvir as pessoas, se envolver no projeto apresentado ou contribuir com o assunto em pauta, ainda que aquela não seja a “reunião dos sonhos”, a atenção fica dividida. Pergunto: a prioridade é quem está a sua frente ou a mensagem que acaba de chegar?

Tudo isso ocorre porque perdemos a capacidade de esperar! Mas a verdade é que as pessoas podem sim, esperar. A tecnologia deve estar a serviço, e não o contrário. As gerações X e Y têm relações bem diferentes com a internet e a conectividade.  O primeiro grupo, composto por pessoas que hoje estão na faixa dos 40/50 anos, viveu metade da vida sem internet e consegue imaginar um mundo sem ela, isso, porém, não torna o desapego necessariamente mais fácil. Da mesma forma que demonstram estar conectados em tempo integral, para dar a impressão que estão “trabalhando”, as pessoas perdem tempo sem ter foco e objetivo claro. O tempo dedicado ao trabalho é “infinitamente maior”, porém os resultados nem sempre correspondem na mesma proporção.

Fica claro que o tempo é outro. É mais curto o tempo de esperar por uma promoção, de aguardar os comandos dados ao computador, que, se demorar mais do que 15 segundos pode ser considerado lento. Da mesma forma é difícil lidar com a frustração de não ter resposta imediata ao que foi solicitado, seja através de uma postagem nas redes sociais, um e-mail ou mensagem. Não é raro perceber que alguém ligou e, ao não ser atendido mandou uma mensagem ou ainda se arriscou a perguntar pelo whatsapp: “você pode falar por aqui”? 

Paciência, tolerância, espera, são expressões que já não cabem mais no cotidiano das pessoas que afirmam não ter horas suficientes para realizarem todas as suas tarefas. No mundo do trabalho, eleger prioridades é a grande questão. Entregar-se de corpo e alma ao momento, seja ele de criação, discussão ou construção de novas ideias, deixando de fora as interferências das redes sociais, indica uma nova forma de lidar com a situação. Experimente fazer uma reunião sem ter o seu smartphone sobre a mesa! Você pode descobrir uma nova sensação, há tempo já esquecida.

 

 

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