Afeto ou Poder?

May 2, 2015

 

Assumir um cargo de liderança não é tarefa fácil, mesmo que isso seja resultado de uma promoção. Chegar à uma empresa, na qual não se conhece a cultura e a identidade organizacional, ou ainda, deixar de ser colega para assumir uma posição hierárquica diferenciada, passa a ser um desafio para quem vivencia essa experiência.

Em ambos os casos, é necessário estar disposto a perceber o que acontece ao redor, podendo aproveitar ao máximo o conhecimento já adquirido, seja ele advindo da experiência de mercado ou mesmo da trajetória já vivenciada na própria empresa.

Para quem está chegando, é importante, primeiramente, conectar-se às pessoas, para depois poder liderá-las. O que é melhor, ser amado, ou ser temido? Demonstrar afeto ou poder? Ser querido ou ser autoritário? Enquanto tende a se posicionar, frisando a força, a maioria dos novos gestores não percebe que perderam a oportunidade de estabelecer vínculo e confiança, e que correm um sério risco de provocar medo ou ameaça, causando na equipe uma sensação de desconforto e ansiedade, pois não estão claras ainda as reais intenções de quem está chegando.

Vários estudos mostram que o segredo é começar pela afetividade, ou seja, ir conhecendo o grupo e deixar-se conhecer. Saber a história de cada um, analisar o quanto já contribuíram com o desenvolvimento do negócio, quais são suas melhores habilidades e aspirações, aproxima o líder daqueles aos quais tem o compromisso de gerenciar.

Um aceno, um sorriso sincero, o silêncio ao invés de novas e imediatas teorias, uma olhar atencioso ao que representa a realidade atual da organização, podem demonstrar que o gestor estreante tem prazer em estar na companhia de sua nova equipe, que está atento aos seus interesses e sente-se seguro frente aos novos desafios. Por mais que o profissional carregue consigo uma bagagem de experiências em outras empresas, precisa apropriar-se da nova situação para não “atropelar” os que estão na casa há mais tempo. Humildade, atenção, foco e poder de escuta permitem ao novo gestor fazer com maior clareza o seu diagnóstico e traçar o seu plano de ação.

Exibir primeiro a sua afetividade e, em seguida, combiná-la com suas competências, pode fazer com que o líder encontre um caminho mais curto para exercer sua influência sobre a equipe, em busca de resultados. Antes de ouvir a mensagem por si só, as pessoas querem formar uma opinião sobre o novo líder, pois querem saber quem ele é, de onde vem, por que e para que está assumindo esse cargo. Quais são as intenções, estratégias e possibilidades?

 

É preciso encontrar a medida certa entre afetividade-competência. A combinação dessa dinâmica pode dar um retorno considerável. Conquistar a confiança das pessoas a sua volta é gratificante. Sentir-se no controle da situação, também. Se fizer as duas coisas há uma grande chance de liderar com sucesso, fazendo com que sua presença não se torne uma ameaça, mas seja uma oportunidade de crescimento mútuo, que pode trazer mudanças positivas e inovadoras para a equipe e para a empresa. É mais fácil contribuir quando há confiança e reciprocidade na relação.

 

 

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